Quer se tratem de livros ou jornais em formato digital, a leitura em leitores eletrônicos continua a ser uma prática individualizada, tal como acontece com a leitura em papel. Esta é uma das conclusões de uma pesquisa feita em 16 países, para um estudo sobre os livros e a leitura.
Mesmo numa altura em que o Google Plus, Facebook e demais redes sociais fazem parte do quotidiano de milhões de utilizadores da Internet, incluindo no Brasil, os aspectos mais valorizados pelos leitores de produtos digitais estão relacionados com a possibilidade de obter informação adicional e não de comentar ou compartilhar informação.
A característica mais destacada na leitura digital, referida por 48% dos entrevistados, foi a possibilidade de, através de um motor de busca, saber de imediato mais sobre o autor ou o tema do texto. Seguem-se 44% de pesquisados que referiram como positivo o acesso a outros textos e os links associados.
A pesquisa foi feita online, no primeiro semestre deste ano, com utilizadores de Internet de países de todos os continentes: Inglaterra, Brasil, Espanha, Alemanha, França, Índia, Canadá, China, África do Sul, Rússia, EUA, Itália, Turquia, México, Austrália e Portugal.
Na lista de aspectos valorizados na leitura digital, e ainda antes das funcionalidades sociais, 43% dos entrevistados salientaram a possibilidade de gravar instantaneamente o texto lido. Só depois surgem a possibilidade de associar um comentário, destacada por 32% dos entrevistados, o compartilhamento em tempo real (30%) e a possibilidade de saber quem já leu aquele mesmo texto (23%).
A existência de funcionalidades que permitem compartilhar e comentar um texto é comum nos sites de notícias e vários oferecem ferramentas para fazer o compartilhamento diretamente nas redes sociais mais populares, como o Google Plus, Facebook e o Twitter. Também os leitores de livros eletrônicos (como o Kindle) e as aplicações de leitura de livros para tablets e smartphones integram funcionalidades sociais, como, por exemplo, a possibilidade de fazer e compartilhar anotações ou de publicar online que já se terminou um livro (isto, sabendo que na definição de livro eletrônico cabem ainda os que são lidos no computador, mesmo em formatos como o comum pdf).
O estudo indica ainda que a maioria já leu livros eletrônicos: 58% dos inquiridos disseram já o ter feito. Mas a tendência é muito maior na China (88%) e no conjunto de países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China, com uma média de 79%) do que nos EUA (53%) e nos seis países europeus onde a pesquisa também foi feito (43%).
Tal como é habitualmente notado neste gênero de estudo, os mais novos e aqueles com maior nível de escolaridade são os que tendem a ler mais em formato digital. A pesquisa apurou ainda que quem é um leitor assíduo nos leitores digitais é, tipicamente, um leitor frequente de formatos impressos. Já o inverso não é verdade: quem lê muito em papel não é necessariamente um grande leitor digital.
Dez por cento dos entrevistados disseram ter lido mais de oito livros eletrônicos no ano anterior, um valor que é de 30% na média dos 16 países analisados.
O documento ressalva ainda que, "ao contrário de um receio várias vezes expresso na opinião pública, os dados indicam que a leitura de livros em formato digital não substituiu a leitura de livros em formato papel".
No estudo, a leitura digital é classificada como "um conceito vago e multidimensional". Segundo o pesquisador, sob esta designação estamos agrupando existências extraordinariamente díspares: estamos falando de livros e jornais, mas também de pequenos textos escritos e compartilhados nas redes sociais, de mensagens no Twitter, que têm no máximo 140 caracteres, de emails e outros conteúdos textuais que são constantemente publicados numa Internet onde os utilizadores são simultaneamente consumidores e produtores.
Outra conclusão do estudo é que estamos, em muitos casos, perante "novos leitores" de livros e jornais, uma ideia que é explicada seu estudo: "Novos, porque alguns que liam em papel passaram a ler agora também em digital e novos também, porque alguns não leriam em papel e passaram a fazê-lo."
Segundo o pesquisador, são as "novas formas de leitura" que criam esses "novos leitores", os quais, embora não necessariamente lendo livros ou jornais, chegam aos conteúdos destes através de outros formatos de leitura: blogs, tweets, emails, posts do Google Plus ou Facebook.
Muitos dos pesquisados (44%) afirmam que no futuro vão ler mais em formato digital.

0 comentários: